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sábado, 28 de março de 2015

FICARAM SEM ESPETÁCULO. FICARAM SEM ALMOÇO.
E aí, depois de muito anúncio, sobre o espetáculo, a população, ávida para assistir o “show” dirigiu-se ao ambiente. “A fila estava dando uma volta no quarteirão”, era a expressão ouvida. Quase um quilômetro de pessoas. Uma euforia só. Todos queriam compartilhar aquele momento. A fila era só riso ao comentar sobre o artista. É muito bom, cara, lembra daquela? E daquela outra?
O pipoqueiro já gastara umas boas latas de óleo para fazer tanta pipoca e “não dava vença”. A multidão era grande! A expectativa de entrar em um ambiente como aquele era maior. As pessoas mais queriam era estar no ambiente do que mesmo assistir ao “show”.
O tempo ia passando e nada da fila andar. Todos começaram a ficar impacientes. Os primeiros da fila começaram então a entoar um burburinho que era mais ou menos assim: “Abre, abre”. Os que estavam há umas cinco ou seis quadras da porta de entrada, mal sabiam do que se tratava. À medida que o “Abre, abre” tomava conta da fila como um rastilho de pólvora, ecoava mais alto o refrão.
Os primeiros da fila receberam a notícia fatídica. Não vai haver espetáculo. A casa de “show” não tem alvará de funcionamento. Passaram-se vinte anos para ser construído e agora vêm com a história de que o espaço não pode ser usado? Foi uma decepção só.
O mesmo aconteceu com um badalado restaurante. Mais de três anos para ser construído. Há pelo menos dois, aguardava o momento certo para sua inauguração. O prato custava R$-0,50 (cinquenta centavos). Puxa! Comer bem por cinquenta centavos era tudo que o trabalhador precisava.

Mas que nada! A fila estava na mesma proporção daquela que deveria assistir o espetáculo, quando alguém chegou com um megafone e anunciou: "O RESTAURANTE NÃO VAI ATENDER ENQUANTO NÃO TIVER O ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO DA PREFEITURA!". 

domingo, 12 de outubro de 2014

RIO SALVAÇÃO
(Fiz essa poesia e a musiquei para participar de um festival onde levei a maior vaia da vida na quadra do Ferroviário porque esqueci a letra. Não me lembro mais o ano - possivelmente 77 ou78 - nem o promotor do evento. É uma homenagem ao Rio Madeira)

EU VI A SEREIA NO MAR.
OUVI A SEREIA CANTAR
O SEU CANTO É BONITO, CHEIO DE AMOR (bis)
NAVEGA SORRINDO
SEMPRE CONTENTE
ABRAÇA OS SEUS
SEM PRECONCEITO
DE RAÇA OU DE COR
EM SEU PAÍS.
BELA RAINHA SENHORA DOS MARES
NÃO SEI ATÉ QUANDO EM PAZ FICARÁS
ABANDONA O TEU LAR
FOGE PRO MADEIRA
NELE NÃO CHEGOU A POLUIÇÃO
LEVA CONTIGO AS TUAS CRIATURAS
NADA, VAI DEPRESSA
ANTES QUE ACIONEM O ATÔMICO CANHÃO.
ENQUANTO DE TI ALGUÉM FALAR
SERÁS A MUSA DO LEDO POETA.
EU VI A SEREIA NO MAR
OUVI A SEREIA CANTAR
O SEU CANTO É BONITO, CHEIO DE AMOR (bis)

domingo, 4 de maio de 2014

DO LIVRO: "DEUS E O ESTADO"

Jeová, que, de todos os
bons deuses adorados pelos homens, foi certamente o mais ciumento, o
mais vaidoso, o mais feroz, o mais injusto, o mais sanguinário, o mais
despótico e o maior inimigo da dignidade e da liberdade humanas, Jeová
acabava de criar Adão e Eva, não se sabe por qual capricho, talvez para
ter novos escravos. Ele pôs, generosamente, à disposição deles toda a
terra, com todos os seus frutos e todos os seus animais, e impôs um
único limite a este completo gozo: proibiu-os expressamente de tocar os
frutos da árvore de ciência. Ele queria, pois, que o homem, privado de
toda consciência de si mesmo, permanecesse um eterno animal, sempre
de quatro patas diante do Deus "vivo", seu criador e seu senhor. Mas eis
que chega Satã, o eterno revoltado, o primeiro livre-pensador e o
emancipador dos mundos! Ele faz o homem se envergonhar de sua
ignorância e de sua obediência bestiais; ele o emancipa, imprime em sua
fronte a marca da liberdade e da humanidade, levando-o a desobedecer
e a provar do fruto da ciência.

segunda-feira, 17 de junho de 2013